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História automóvel: como nasceram as rotundas?

historia das rotundas

Conhecido internamente como o “País das rotundas”, Portugal sempre teve uma relação curiosa com as mesmas. Além de estarmos há mais de sete anos à espera da introdução da primeira turbo-rotunda, temos dificuldades a adaptarmo-nos às regras.

Basta reparar nos dados pós 1 de Janeiro de 2014 – altura em que só se tornou possível circular na faixa mais à direita, caso o condutor optasse pela primeira saída. Segundo a PSP, só nos primeiros três anos foram multados cerca de 3.000 condutores por não cumprirem as regras das rotundas.

Foi a pensar nos mais revoltados e também nos mais curiosos que fomos à procura da origem. Ou seja, mais precisamente, fomos descobrir a história das rotundas e desmistificar alguns ditos.

História das Rotundas: o primeiro passo


Columbus Circle

Corria o ano de 1790, um período caracterizado pela revolução industrial e, consequentemente, uma época recheada de novas invenções. Uma delas ocorreu quando um engenheiro franco-americano, Pierre L’enfant, propôs um número de intersecções circulares em Washington, incluindo o famoso Dupond Circle.

Até hoje, pouco se sabe sobre quais seriam as regras de circulação e o porquê desta invenção – até porque foram construídas numa altura em que a utilização de carros era ainda bastante reduzida. Porém, pode-se considerar que essas intersecções são o primeiro passo rumo à criação de rotundas.

No entanto, apesar da ideia base para as rotundas ter surgido em 1790, só em 1905 é que se voltou a colocá-la em prática. Um empreendedor norte-americano, William Eno, propôs-se a um objectivo: diminuir os engarrafamentos. Para isso, criou o Columbus Circle em Nova Iorque, aquela que é considerada a primeira intersecção circular da era automóvel.

Nessa mesma década, esta inovação começou a espalhar-se para o resto do mundo. O principal país a adoptar a ideia foi a França, com particular incidência na capital, Paris.

Embora parecidas com as rotundas actuais, as intersecções circulares dessa época tinham características distintas. Apesar de, tal com hoje, existirem vários tamanhos e formatos diferentes, os “protótipos” eram, por norma, sempre extremamente largos, sendo que as entradas para as mesmas apresentavam ângulos bastante apertados, dificultando a vida a quem queria iniciar a circulação.

História das Rotundas: uma segunda tentativa

Como em todas as invenções, depois da base estar consolidada, começam a aparecer inovações. Foi exactamente isso que aconteceu com as intersecções circulares que, nos EUA, na década de 30 do século XIX, passaram a chamar-se rotaries (rotários).

Costuma-se dizer que para cada acção há uma reacção. Foi exactamente isso que aconteceu. Poucos anos antes, em 1929, havia sido inventado o sistema automático dos semáforos. Para responder ao novo sistema de regulamento de trânsito, criaram-se então as rotaries.

A grande inovação foi a introdução de ilhas separadoras entre as entradas e saídas das mesmas, com o objectivo de distinguir os dois tipos de intervenientes e evitar acidentes. Os ângulos para entrar e sair tornaram-se mais abertos, facilitando os acessos.

Porém, apresentavam uma regra que em muito se assemelha às actuais praças: tinha prioridade quem queria iniciar a circulação, o que inevitavelmente causava bastante tráfego e acidentes.

A primeira Rotunda

cedencia de passagem nas rotundas

Dado o número de acidentes, a meados do século XIX, os norte-americanos começaram a diminuir e a remover as rotaries. Mas, em 1966, em Inglaterra, decidiram pegar naquilo que a sua antiga colónia havia inventado e recriar, construindo as primeiras rotundas modernas.

Embora desenhadas de forma idêntica, os britânicos optaram por incluir uma regra nova: quem entrasse teria de ceder passagem.

Os resultados mostravam uma clara evolução. O número de acidentes diminuiu em 40% e a capacidade de circulação nas rotundas aumentou em 10%. Dado o sucesso, a ideia começou a expandir rapidamente para o resto da Europa e do Mundo.

Actualmente não há dados sobre o número oficial de rotundas em Portugal. Por outro lado e apesar da nossa fama de “País das rotundas”, na década de 90 os franceses construíam cerca de 1.000 rotundas por ano.

O futuro: Turbo-rotundas

Na década de 1990, na Holanda, deu-se o passo seguinte na evolução: as turbo-rotundas. Estas permitem que quem entre numa rotunda vá imediatamente até ao ponto de saída da mesma sem ter de se cruzar com quem circula.

Em Portugal, o Marquês de Pombal, em Lisboa, tem uma construção semelhante, mas não exactamente igual. Já na cidade estudantil de Coimbra, está programada a construção de uma turbo-rotunda junto à Estação de Coimbra-B desde 2012.

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